27 de abril de 2016

Expedição ao Montado

6:16 toca a levantar. Arranjo-me e com optimismo pego apenas num livro leve e atiro para dentro da mochila. Esperava-nos mais uma aventura no nosso Land Rover de forte personalidade, o que significa que nem sempre nos leva ao destino que planeamos, mas ao destino por ele escolhido, parando onde nunca pensámos parar. Faço frente à sua forte teimosia levando sempre comigo "os meus brinquedos", que é como quem diz, trabalhos manuais que faço enquanto o Zé se dedica a "aperfeiçoamentos" de feitio, já que o Land Rover não tem defeitos, mas um feitio muito próprio. (já ponderei andar sempre com os sacos de cama e até uma tenda!)
Surpreendentemente o Land Rover colaborou a 100% connosco, levou-nos ao nosso destino, permitiu-nos gozar em pleno a "Expedição ao Montado" e trouxe-nos de volta até à porta de casa. Era esta prova que eu há muito ansiava, a sua vontade de percorrer caminhos, por agora, em Portugal!
Primeira paragem e pausa para comer. (nunca comi tanto apenas num dia!)
Sendo bióloga e professora, adorei todas as chances em que pude assumir o papel de  curiosa e atenta aluna!
Visita guiada aos Moinhos da Tramaga.
Pausa para almoço, seguida de mais uma visita guiada que começou pelo segundo maior painel de cortiça, tendo liderado a lista até março!
 "Visita de estudo", à antiga fábrica do arroz, com passagem pela Fablab
Antes de abandonarmos Ponte de Sor, tivemos oportunidade de conhecer alguns artesãos locais e produtos regionais
As fotografias identificadas, como a anterior, são da autoria da equipa que organizou, dinamizou e nos acompanhou à Expedição ao Montado. (mais fotografias no facebook da organização)
Paragem para aprendermos a procurar e apanhar Túberas.
Aprendemos alguns sinais para distinguir cogumelos comestíveis dos que serão certamente venenosos.
O Zé aceitou o desafio e tentou encontrar as preciosas túberas, junto da planta que dá vida a este fungo.
Terminámos o dia no Monte Novo do Cascavel, Cantar de Galo, com um jantar regional e muita animação!
No exterior começámos por provar túberas com ovos mexidos, uma delícia!
Este cobertor de papa não me passou despercebido, bem como todos os pormenores que revelavam o bem receber, respeitando as nossas tradições.

Para os nossos filhos trouxemos um registo fotográfico, uma aventura para contar e sabores para experimentarem. Desses sabores o que gostei mais foram os produtos do Frasco de memórias . Os Pirulitos foi pela graça de dar a conhecer aos nossos filhos uma das guloseimas do nosso tempo. O chá e o mel são compras que nunca são demais!


23 de abril de 2016

Regresso ao Patchwork

Fim de semana é sinónimo de mais oportunidades para fazer as coisas boas da vida despreocupadamente, longe de compromissos, que marcam a rotina do dia-a-dia. Por mais cansada que esteja, sou incapaz de dar de mão beijada, ou de qualquer outra forma, estes 2 preciosos dias, à preguiça ou ao sono. Tive por despertador o meu entusiasmo que me arrancou da cama cheia de energia renovada perante a expectativa da manhã que me esperava na Retrosaria, para um workshop com a Rita. Tive boleia do Zé que na véspera, ao me ver limpar a Bernina e preparar o material para levar, teve pena de mim pelo peso que teria de alancar e assim  cheguei antes da hora combinada. 
A Rita, de armas e bagagens, já se encontrava à porta da Retrosaria, com um sorriso de boas vindas. Feitas as apresentações aceitei o convite e fomos tomar um café acompanhado de dois dedos de conversa. Mãe de uma catrefada de filhos, dedicada ao patchwork há mais de 20 anos fez-me concluir "Perfeito! Uma mulher que só pode ser desenrascada, prática e criativa, para lidar com tamanha família!"
Regressámos à Retrosaria e a Rita iniciou uma súper manhã dando as boas vindas às 3 Ss (os nossos nomes começavam todos por S) e dizendo que uma de nós era a 333 da sua lista de contactos. Para quem, como eu, marca o despertador para as 7:07, ou 7:17, que gosta de capicuas, que planifica em função de números e que é capaz de esconder sempre nos seus trabalhos um padrão numérico com um sentido carregado de simbologia emocional, era mais uma promessa de ir empregar bem a minha manhã de sábado. E assim foi, aprendi imenso e não vejo a hora de voltar! 
autocolantes oferecidos pela Rita às alunas
alguns exercícios em tecido
Fizemos variadíssimos exercícios, no papel e com tecidos, conhecemos algumas aplicações informáticas e fontes de material para o estudo prévio que implica o desconstruir e construir com tecidos. O tempo voou, ainda assim foi uma experiência bastante enriquecedora.
estas  3 últimas fotografias são do facebook da RitaCor
Obrigada Rita  pela partilha de saberes e motivação.
Obrigada Rosa por me fazer acreditar, a cada visita que faço à Retrosaria que "fazer é poder"!
Inscrevi-me neste workshop num daqueles dias em que estava zangada com a malha. Bendita a hora em que me deu a neura e que já durava a alguns dias! Sentia a monotonia de tecer gigantescas carreiras, sem padrão, ou cor, sempre o mesmo ponto, sem exigência de concentração, empenho ou criatividade. Cansei-me! Sabendo pouco de malha, não dou espaço nenhum a invenções e limito-me a seguir, quase rigorosamente, as instruções. É bom quando quero ver um filme ou série em família, sem necessitar de qualquer tipo de concentração, apenas a precisar de ter as mãos ocupadas, mas não era isso que a minha mente e as minhas mãos me pediam!
Talvez influenciada pelos podcasts da Paula (Knitting Pipeline), da Jaclyn Salem (Brooklyn) e da Dani, quando convida a mãe(Little bobbins Knits), senti vontade de retomar o patchwork.(cansei-me de alguns podcasts, viraram verdadeiras "youtubevendas", acabando por preferir a companhia do silêncio).
Acredito que o patchwork poderá a vir a proporcionar-me momentos de puro gozo criativo. Talvez seja a fórmula que procuro para me invadir do meu casulo de conforto, num jogo de luz e cor, malabarismo com matemática e padrões, riscos e rabiscos no papel. Gosto de novas experiências. Tentar, errar, repetir, desmanchar, praticar, são palavras que fazem parte do meu vocabulário secreto quando me sinto perdida e procuro algo que me faça sentir plenamente feliz. 
Não quero deixar de referir o trabalho da Jude Hill, todo feito à mão, dispensando a máquina que tantas vezes é inimiga da continuidade do processo criativo, que me impõe um certo isolamento na minha casa, que não quero que seja apenas uma casa, mas um verdadeiro lar! A arte da Jude é patchwork, em português Trapologia, a um nível inacreditável de criatividade, executado sem pressas, nem limitações de espaço ou tempo.
Algo que também quero experimentar é o Boro, mas é preciso ter calma e focar-me, evitando dispersar-me com tanta coisa que quero experimentar/vivenciar!

13 de abril de 2016

Receitas para ser feliz

É fácil ser feliz (coloquemos de lado as partidas inesperadas que a vida nos prega e que não ajudam nada)!
Estes dias tenho seguido algumas das minhas receitas habituais, umas mais económicas do que outras. (os livros dão cabo das minhas economias!)
Vejam como é simples:
São necessárias as palavras certas misturadas com mestria, página a página, num livro que me deliciou logo na primeira página.
"Inglaterra rural, uma quinta perdida no meio de nenhures (...) início da década de 1960. A casa (...) de estrutura de madeira (...)da chaminé sai fumo e, só de olhar, percebe-se que há qualquer coisa saborosa a cozinhar no fogão por baixo dela. (...) vegetais da pequena horta, plantada com desvelo nas traseiras da casa. (...)
Uma vedação rústica circunda a casa e um portão de madeira separa o jardim do prado que fica do outro lado e para lá do qual se estende o bosque. (...) um regato corre delicadamente sobre as pedras, esgueirando-se por entre a luz e a sombra(...)
A casa encontra-se isolada, aninhada ao fundo de um caminho (...) invisível da estrada rural(...)

Sendo da Kate Morton, "Amores Secretos" (títulos sempre lamechas e pirosos, mas enfim!) terá certamente uma pitada de cada um dos ingredientes que fazem dos seus livros uma saborosa leitura, não lhe faltando o fermento indispensável a um crescente enredo para um final imprevisto.

A acompanhar sigo a receita da Joji Locatelli para um projeto de malha.
Os ingredientes são selecionados e devidamente misturados. Uma pitada de cada cor de linha macia, cada qual na sua dose certa, para trabalhar com as minhas Chiagoo, que tanto aprecio!
Ao projeto de malha acresce o entusiasmo de não o estar a fazer sozinha mas acompanhada por todas as que aceitaram o desafio das Joanas e aderiram ao KAL, da Ovelha Negra!
Para finalizar sirvo, com as receitas anteriores, um chá e bolachas com doce de limão.
Os limões são alentejanos, da terra que piso e toco, o que para mim faz toda a diferença ter acompanhado, ainda que à distância, o seu crescimento.
Com a combinação destas receitas, fico mais do que satisfeita!
Venham comigo procurar mais "receitas", para ser feliz, no Yarn Along!