sexta-feira

Desapego?! 3 Histórias

Mais uma mensagem na net, que me fez pensar!
  •  Desapego?!
Como Mãe não consigo conquistar o "Desapego"! Admito a derrota perante tão grande desafio! Contínuo a ter expectativas para o futuro dos meus filhos. Sem medo?! Tomará eu! Sem culpas?! Não chamaria culpa, mas sei que no caminho que temos feito lado a lado, a minha mão puxou-os para junto de mim, tantas e tantas vezes, para o caminho que escolhi fazer com eles. Soltar?! E qual é o momento desse soltar?! Estarão preparados?! Não queremos todas as mães mantermos-nos ligadas eternamente aos nossos filhos, por muito ténue que se torne (nem acredito no que acabo de escrever!) essa linha que nos une?! Não é pedir de mais, desapego por um pedaço que faz parte de nós?! Já tenho dito, que os nossos filhos a nós não nos pertencem, mas sentir desapego acho que jamais, por muito teimosa que eu seja, perante os grandes desafios da Vida!
Mãe
 
  •  Desapego?!
Quem viaja com um amigo, pelos trilhos da vida e de repente tem um amigo que (inesperadamente),  precocemente se vê obrigado a apear-se numa estação, jamais conseguirá sentir desapego! A saudade acabará por se entranhar no âmago da sua alma. Todos os dias 11 , sinto o peso do passado, a vontade de viver o presente, com a angústia da consciência da nossa finitude, na escrita da minha Inês.
Amiga
  •  Desapego?!
 Até mesmo por bens materiais custa, pelo valor que certos objectos vividos adquirem.
 Viúvo de 85 anos, sem filhos, um senhor que é uma figura, vê-se obrigado a deixar a sua casa, para ir viver, graças a Deus,  para junto dos seus 4 irmãos mais novos. Apesar de ir para a casa do irmão, que em tempos albergou toda esta família, sentia-se triste. A tristeza de deixar o seu canto, e também, por ninguém revelar alguma vontade em ficar com as peças que, para ele, tinham as cores de histórias vividas. Conscientes do esforço que, o irmão mais velho estava investir nesta mudança , imposta pelo peso da idade e da vida, os irmãos e sobrinhos regressaram com ele ao seu lar, para o ajudarem a escolher peças para personalisar o seu novo quarto e, para cada um trazer algo que o fizesse feliz. A alegria estampada no seu rosto, quando se sentou uma vez mais no seu terraço e exclamou:
"-Passava aqui os meus dias!", fazia sorrir qualquer um, com um misto de angústia.
Falou ao cão, seu vizinho de terraço, antes de se juntar à família que, tinha muito para arrumar, escolher, limpar. Lá  deitaram mãos à obra, sem saberem bem por onde começar!  Perguntaram-lhe o que queria levar consigo.
"-Nada, fiquem vocês com o que quiserem". Pegou num molho de fotografias e colocou na sua única mala junto com um boneco que tentou esconder, mas não escapou ao olhar de uma sobrinha que perante tal cenário, sentia-se perdida numa mistura de sentimentos. Toda a história daquele tio, contida numa malinha com memórias fotográficas, misturadas com um boneco.
"-Também quero levar isto" e deu à sobrinha um saco que continha um saco de cama velho, dizendo "-Gostava muito de acampar, gosto do contacto com a natureza!".
As sobrinhas tinham de regressar mais cedo. Despediram-se agradecendo as peças que tinham escolhido. O tio respondeu:
"-Podem voltar e levar o que quiserem! Eu voltarei para levar as minhas pombas para um jardim, onde sei que têm amigas e que vão tratar delas". Era a sua maior preocupação, o destino das sua "amigas" com quem partilhou os seus silêncios de viúvo!
Todos e ninguém
 Desapego?! Desapego?!.......

*depois de "teclar" sinto-me mais leve!


5 comentários:

Lenamar disse...

Lindissíma esta história!!

Obrigada pela partilha.

Beijinho

Borboleta Serrana disse...

Obrigada pelo tempo, pela paragem para comentar e pelas palavras simpáticas!

nany disse...

Foi muito bom lêr! Obrigada.Não sei o que dizer mais.

Cristina Boavida disse...

Adorei lêr!

Borboleta Serrana disse...

Obrigada Cristina!
bjns