segunda-feira

Voltei, volto sempre!


Numa tarde de Junho, o frio voltou. Os cães lá fora procuraram um aconchego quente.
 Eu, lá dentro, voltei à lenha e à lã. 

 Sentia-me tranquila, na quietude do campo, e nessa quietude perdia-me em pensamentos. Dei comigo invadida violentamente por uma saudade irracional, diria mesmo inexplicável! Saudade dos meus filhos. A Madalena tinha ficado em Lisboa, a estudar para os exames. O António estava a trabalhar. Apenas a Inês estava comigo, cansada de "dolce far niente", também ela queria regressar à cidade. Voltámos e fui FELIZ. Feliz por mimar a Madalena que adormeceu numa das pausas do seu estudo. Feliz porque, voltei a deitá-la, tal como quando era pequena, tapei-a e senti a felicidade de aconchegar a minha fofinha. Feliz, porque o António chegou e deitou-se ao meu lado. Mimou-me e ficámos a conversar pela noite dentro. Senti-me embalada na força da sua ternura. Voltei da minha Serra, volto sempre. Volto porque sei que o meu lugar é  onde estão os meus filhos, onde reside o Maior amor. Mesmo que atarefados nos seus afazeres, sinto-os presentes, só porque os sinto junto de mim. A casa vibra ao ritmo da melodia dos ecos dos seus afazeres. Ecos que me afagam e tecem uma linha invisível que me prende a eles, como um cordão umbilical, há muito cortado, mas ali para sempre presente. Sinto-me completa e quero desfrutar de todos os pequenos momentos que estamos juntos. Sei que os meus filhos a mim não me pertencem. Sei que está, cada vez mais perto, a hora de seguirem um caminho, que não é o meu. Sei que se aproxima o dia em que terei de marcar os dias dedicados à família, para nos juntarmos e, simplesmente, estarmos. Por isso, tenho uma necessidade insaciável, de aproveitar todos os minutos em que os tenho só para mim, para nós os dois. Sim, Zé é nestes momentos que sinto que  nada é mais forte do que o amor que há em nós, que nos abençoou com este amor Maior. Um dia teremos a nossa casa lá na Serra, a casa em que os receberemos, e às suas famílias, e seremos ainda mais, ainda Maiores! Mas por agora, quero viver este amor, por isso voltei e voltarei sempre!

1 comentário:

Inês M. disse...

Já reparei que este tempo tem o mesmo efeito sobre nós as duas: melancolia e devaneios sobre a vida! Eu sobre o passado, a mãe sobre o futuro. Eu reflicto sobre algo que já não pode ser mudado e a mãe sobre algo que ainda não chegou...ainda tem os seus três filhos a viver debaixo do seu tecto e parece-me que tão cedo isso não se vai alterar, por isso don't worry and enjoy the moment ;)