segunda-feira

Cuidado com aquilo que desejam!

Sou Mãe, de 3 filhos, com idades muito próximas! Sinceramente, houve dias que eles davam comigo em doida e eram educados! Mas ser criança é brincar, correr, cantar, esgotar as Mães. Tive dias em que desesperei farta do trabalho da casa, das corridas entre escolas, parque infantil, natação e catequeses, finais de dia a vigiar estudos, tirar dúvidas, recapitular matérias para os testes, verificar o material e equipamento para educação física, depois de deitados ainda ia sorrateiramente verificar tudo uma vez mais, para não lhes roubar a sensação de autonomia. Na primária, ao deitá-los, a mais velha gostava de ler sozinha, já a do meio criava os seus contos mas sempre comigo a fazer perguntas. Se me calava ela logo dizia "Não sei o que aconteceu ao meu cavalo branco voador! Não sei para onde me levou!". Ao mais novo tinhamos de lhe ler as histórias. Às vezes  saltava linhas, inventava e lia na diagonal, ouvia logo, "Mas a história não é assim!". Eu ansiava por descanso e tentava encurtar o momento do deitar! Chegavam os fins de semana e em vez de descansar eram preenchidos com actividades escuteiras, passeios e visitas "culturais", sem um bocadinho para recuperar o fôlego para a semana seguinte. Quando chegava o tempo de banhos de mar, lá ia eu, gelada até aos ossos para os vigiar, até ao dia que decidi colocá-los a todos no bodyboard. Nessa altura, quantas e quantas vezes, desejei que os meus filhos crescessem, para serem mais independentes. Hoje são todos maiores, embora "não vacinados"! De uma casa sempre cheia, dias totalmente preenchidos com e para eles, passei para uma nova fase, à qual estou a ter uma certa dificuldade em adaptar-me! O silêncio invade a minha casa, mais vezes do que gostava de confessar. Pior, é preenchido por um enorme vazio. Para evitar a solidão, que às vezes toma conta de mim, dedico-me à culinária.
Hoje fiz bolachas de manteiga de amendoim, com pepitas de chocolate, receita que copiei da culpa é das bolachas.


Enquanto amassava a massa, moldava as bolas e carimbava-as, os meus pensamentos estavam com os meus filhos: uma bolacha para agulosa da Madalena, que fez hoje o seu último exame; uma bolacha para dar energia ao António, mais logo durante o seu último exame; uma bolacha para a Inês que voltou depois de uma ausência de uma semana...E pensando neles sentia-me "acompanhada".  Com carinho fiz  "com eles "uma "montanha" de bolachas!

Pensar que um dia desejei esta tranquilidade, até parece mentira!

3 comentários:

meri disse...

:)
Percebo isso tudo muito bem! É isso mesmo que acontece mas é preciso preparar o futuro, o nosso e o deles. A Autonomia deles e a nossa também! Entretanto vá aproveitando enquanto os tem bem pertinho de si. Sem se perceber como, nem quando, eles passam a ter a vida como a nossa, tão preenchida e a desejar mais sossego. É assim mesmo... Beijinhos.
Adorei os carimbos!

porque sim disse...

Todas as fases da vida têm coisas boas e coisas menos boas. Talvez tenha que encontrar as coisas boas dessa fase mais tranquila que agora está a viver. Quando vierem os netos essa azáfama volta outra vez!!! Beijinhos. Elsa (PS: tive uma ideia, brinde-nos com PAP (ou tutoriais) de todos esses pontos lindos que sabe fazer...)

Borboleta Serrana disse...

Obrigada pelas vossas palavras!
Elsa talvez pegue na sua ideia.